Inflação de julho tem maior alta em 19 anos e chega a 8,99% em 12 meses

A inflação acelerou em julho e subiu 0,96% em relação a junho, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira. É a maior alta para o mês desde 2002, quando registrou 1,19%.

O avanço é resultado, principalmente, do aumento na conta de luz, em razão do reajuste da bandeira tarifária, e da alta nos preços de combustíveis.

Em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 8,99%. É a maior alta nessa base de comparação desde maio de 2016, quando o indicador chegou a 9,32%.

Com o resultado, o indicador permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida para o ano. A meta de inflação do Banco Central para 2021 é de 3,75%, podendo variar entre 2,2% e 5,25%.

Analistas ouvidos pela Reuters projetavam alta de 0,93% para o mês e 8,97% em 12 meses.

Energia elétrica e combustíveis pressionam

Dos nove grupos pesquisados, oito tiveram alta em julho. Somente os grupos Transportes e Habitação tiveram impacto de 0,8 pontos percentuais sobre o indicador no mês, que ficou em 0,96%.

O avanço tem relação, principalmente, com o aumento da tarifa de energia elétrica, que acelerou em relação ao mês anterior, com alta de 7,88% em julho. Houve avanços tarifários de 11,38% em São Paulo, de 8,97% em Curitiba e de 9,08% em uma das concessionárias de Porto Alegre.

— Além dos reajustes nos preços das tarifas em algumas áreas de abrangência do índice, a gente teve o reajuste de 52% no valor adicional da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em todo o país. Antes, o acréscimo nessa bandeira era de, aproximadamente, R$ 6,24 a cada 100kWh consumidos e, a partir de julho, esse acréscimo passou a ser de cerca de R$ 9,49 — explica o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

Já os preços do grupo Transportes aceleraram 1,52%. Os preços dos combustíveis saltaram 1,24% após alta de 0,87% em junho. Somente a gasolina apresentou alta de 1,55%, após ter subido 0,69% no mês anterior.

Os preços das passagens aéreas também contribuíram positivamente para a alta do grupo. O item registrou alta de 35,22% após queda de 5,57% em junho.

Inflação dos mais pobres supera IPCA

Para analistas do mercado, já era esperado que itens como energia e combustíveis pressionassem o indicador. Isso porque começam a refletir o recente reajuste da Petrobras, nos preços da gasolina, diesel, gás de botijão e gás canalizado, e o reajuste de 52% no valor da bandeira tarifária de energia pela Aneel, que impactam o consumidor.

O IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação percebida por famílias com renda entre um e cinco salários mínimos mensais.

O indicador chegou a 1,02%, superando o avanço de 0,96% no IPCA. No ano, o indicador acumula alta de 5,01% e, em 12 meses, de 9,85%.

Em 12 meses, essa é a maior variação desde março de 2016, quando o índice acumulado chegou a 9,91%.

Impacto sobre os juros

O resultado dessa alta dos preços sobre o IPCA é um avanço do indicador em 12 meses, o que tem feito o Banco Central subir a Selic, taxa de juros básica da economia, hoje em 5,25% ao ano.

Como o efeito de uma alteração na Selic leva de seis a nove meses para chegar à economia real, analistas avaliam que a inflação em 2021 ficará acima do teto da meta, mas ainda acreditam que a inflação voltará aos trilhos em 2022.

Segundo último Boletim Focus divulgado na segunda-feira, a previsão de analistas do mercado para a inflação de 2021 subiu de 6,79% para 6,88%. Já a expectativa sobre a inflação de 2022 passou de 3,81% para 3,84%. A meta de inflação do ano que vem está fixada em 3,5%.

O Globo

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